Parou por uns instante. Viu o quanto aquele período negro demorou a passar. Percebeu que na verdade não tinha sido tão ruim assim, que tudo o que esperou durante muito tempo tinha acontecido ali, naquele ínterim. Mas a vontade havia passado, ele não queria nada daquilo.
Quis ser uma pessoa melhor, aquela mesma pessoa de quem ele havia fugido durante toda a vida. Pensou que talvez fosse a hora de parar de lutar contra sua própria natureza. Mas... aquela não parecia mais ser sua própria natureza. Um poço de contradições e clichês, um filme iraniano cheio de efeitos especiais, uma comédia pastelão britânica, um tango alegre.
Quanto mais suas conquistas pareciam certas, mas ele fugia delas. E tinha medo de fazer o mesmo quando seus novos anseios estivessem próximos. Foi então que teve uma idéia... Em oito minutos, se transformou em terceira pessoa e transformou isso num texto. Daqueles que tentam ser enigmáticos, mas no fundo são assustadoramente óbvios.
segunda-feira, julho 21, 2008
sexta-feira, julho 11, 2008
Revolução Gramática
Companheiros e Companheiras:
Mais uma vez a burguesia tenta minar a força do proletário, impondo os supostos "benefícios" do mundo capitalista, que no fundo só interessa a uma pequena minoria. Estou falando da tal da "Reforma da Gramática" que pretende unificar a maneira de se escrever de todos os países lusófonos.
Mais uma vez, nessa "Reforma", quem paga o pato é o trabalhador. Gramáticos de todo o país têm vindo a público defender essa absurda e mesquinha modificação na escrita, que dentre outros crimes contra o povo, elimina de uma vez por todas o emprego da trema.
Durante muitos anos, a trema foi fundamental para o desenvolvimento da Gramática, ajudou a consagrar autores e tornar os professores de português figuras ímpares no crescimento do país. E de uma hora para outra, milhares de tremas vão ser simplesmente despejadas na rua, deixando na miséria um sem número de famílias. É por isso que nós da SAASGSP (Sindicato dos Acentos, Astericos e demais Sinais Gráficos do Estado de São Paulo), somos contra essa atitude abusiva.
Como consolação, os autores da Reforma oferecem cursos de qualificação para empregar os tremas desempregados como dois-pontos. No entanto não oferecem garantias que esses novos profissionais da grafia serão inseridos no mercado de trabalho. Não basta simplesmente despejar novos dois-pontos no mercado, é preciso estimular o uso de diálogos e qualificar um grande número de travessões para a empreitada. Isso promove uma desvalorização do trabalhador, e uma grande queda nas condições de escrita. Algo semelhante aconteceu com os astericos, que com o estouro das notas de rodapé (que nada mais passam de artifícios para contratar jovens letras como estagiárias, que ocupam um espaço menor e são pior remuneradas), foram substituídos por números. O resultado todos sabem, um grande número de astericos obrigados a passar gel nas suas vistosas cabeleiras, para trabalhar como pontos finais. Alguns gramáticos já defendem que os tremas e dois pontos serão obrigados a trabalhar em duplas com pontos finais (muitos dos quais já foram glamourosos astericos) e se transformarem em reticências. É isso que vocês querem? Uma linguagem vaga, sem garantias?
Acentos do Brasil, uni-vos!!! Se hoje o trema é quem perde seu emprego, logo serão os acentos agudos e circunflexos, crase e mesmo os tils que perderão sua vez. Já deixamos que os imperialistas norte-americanos nos impusessem o "k", o "y" e o "w," já somos invadidos por suas palavras e expressões. Agora querem que usemos uma linguagem rebaixada, sem acentos, e logo teremos suas palavras curtas, e ao pronunciar falaremos pelo nariz. É isso que vocês querem? A automatização da linguagem? Escrever como se fala?
Vamos deflagrar uma greve!!! Sem acentos e sinais gráficos, não se imprimem livros, revistas e tampouco jornais, não se ministram aulas de gramáticas e sequer se digitam emoticons no msn. Vamos mostrar a força da acentuação desse país. Não ao fim do trema!! Não à implosão da nossa gramática!!! Vamos mostrar a eles com quantos travessões se faz uma canoa!!
Até a vitória, companheiros!!!
Mais uma vez a burguesia tenta minar a força do proletário, impondo os supostos "benefícios" do mundo capitalista, que no fundo só interessa a uma pequena minoria. Estou falando da tal da "Reforma da Gramática" que pretende unificar a maneira de se escrever de todos os países lusófonos.
Mais uma vez, nessa "Reforma", quem paga o pato é o trabalhador. Gramáticos de todo o país têm vindo a público defender essa absurda e mesquinha modificação na escrita, que dentre outros crimes contra o povo, elimina de uma vez por todas o emprego da trema.
Durante muitos anos, a trema foi fundamental para o desenvolvimento da Gramática, ajudou a consagrar autores e tornar os professores de português figuras ímpares no crescimento do país. E de uma hora para outra, milhares de tremas vão ser simplesmente despejadas na rua, deixando na miséria um sem número de famílias. É por isso que nós da SAASGSP (Sindicato dos Acentos, Astericos e demais Sinais Gráficos do Estado de São Paulo), somos contra essa atitude abusiva.
Como consolação, os autores da Reforma oferecem cursos de qualificação para empregar os tremas desempregados como dois-pontos. No entanto não oferecem garantias que esses novos profissionais da grafia serão inseridos no mercado de trabalho. Não basta simplesmente despejar novos dois-pontos no mercado, é preciso estimular o uso de diálogos e qualificar um grande número de travessões para a empreitada. Isso promove uma desvalorização do trabalhador, e uma grande queda nas condições de escrita. Algo semelhante aconteceu com os astericos, que com o estouro das notas de rodapé (que nada mais passam de artifícios para contratar jovens letras como estagiárias, que ocupam um espaço menor e são pior remuneradas), foram substituídos por números. O resultado todos sabem, um grande número de astericos obrigados a passar gel nas suas vistosas cabeleiras, para trabalhar como pontos finais. Alguns gramáticos já defendem que os tremas e dois pontos serão obrigados a trabalhar em duplas com pontos finais (muitos dos quais já foram glamourosos astericos) e se transformarem em reticências. É isso que vocês querem? Uma linguagem vaga, sem garantias?
Acentos do Brasil, uni-vos!!! Se hoje o trema é quem perde seu emprego, logo serão os acentos agudos e circunflexos, crase e mesmo os tils que perderão sua vez. Já deixamos que os imperialistas norte-americanos nos impusessem o "k", o "y" e o "w," já somos invadidos por suas palavras e expressões. Agora querem que usemos uma linguagem rebaixada, sem acentos, e logo teremos suas palavras curtas, e ao pronunciar falaremos pelo nariz. É isso que vocês querem? A automatização da linguagem? Escrever como se fala?
Vamos deflagrar uma greve!!! Sem acentos e sinais gráficos, não se imprimem livros, revistas e tampouco jornais, não se ministram aulas de gramáticas e sequer se digitam emoticons no msn. Vamos mostrar a força da acentuação desse país. Não ao fim do trema!! Não à implosão da nossa gramática!!! Vamos mostrar a eles com quantos travessões se faz uma canoa!!
Até a vitória, companheiros!!!
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