terça-feira, novembro 27, 2007
Mea-culpa
Mas o tempo passa e a gente percebe que não estamos só... há pessoas que se vão e deixam um grande vazio no peito... outras anunciam que se vão... e o peito vai se corroendo aos poucos, se acostumando à dor da falta, antes que ela venha.
Em compensação... outras pessoas surgem, ocupam imensos pedaços no nosso coração. É quando se tem vontade de estar sempre por perto, de acompanhar cada conquista, chorar cada derrota... e para isso é necessário tempo. Há aquelas que surgem do nada... um dia olhamos aquela barriga enorme se esvaziar e olha um trocinho de gente, coça o queixo e se pergunta: "Como vai ser quando isso daí crescer?"
E bate aquela puta vontade de ficar da janela de casa vendo o tempo passar. De fazer as coisas mais devagar, de não deixar que alguém sinta a nossa falta, de cuidar mais do corpo, e assim ter mais tempo para sair correndo com os cabelos ao vento. Dá vontade de fazer aquela viagem, gastar aquela grana, comprar aquela casa com quintal, estante cheia de livros, piano na sala, e porque não um piscina de bolinhas?
Às vezes parece tão fácil... mas vai ficando tarde e queremos ir para casa dormir. Tem dias em que ficamos a noite toda acordado.... vemos coisas que o dia não nos mostra. A vontade é ficar acordado o resto da vida, dá pena de dormir. Mas naquele dia que chegamos cansados e desmaiamos na cama, os sonhos nos mostram que vale a pena uns momentos de sono.
Sentimos vontade de tantas coisas tão simples na vida... e optamos por fazer as mais complicadas... um trago, um fungo, uma prensa, por um instante de prazer. Uma refeição exagerada, uma noite mal dormida, um dia de muito trabalho... acabando com anos de nossa vida por instantes de prazer.
E lá se vai o tempo para ver aquela criança crescendo, para acompanhar as vitórias e derrotas daquela pessoa querida... e lá se vai os livros, os pianos e a piscina de bolinha.
Às vezes tudo parece uma fase... em outras que tudo vai durar para sempre... pois é... o jeito é dar mias um trago, um fungo e uma prensa, depois de um dia de muito trabalho, e passar a noite acordado pensando.
sábado, novembro 24, 2007
Vício Maior
Fino e comprido, quase a tocar o céu...
O tecido que se enrola com suavidade
Verde meu... nos pulmões... nas entranhas...
Que se joga no meu céu... que é mais azul...
Da paz branca em minha mente... inspira e expira
Querem me tirar... mas defendo com todo o brio...
A bandeira do meu Brasil...
quarta-feira, novembro 21, 2007
O cigarro e a formiga
Estou no trabalho. Paro por alguns minutos e acendo um cigarro, longe de qualquer pessoa que possa me tecer um discurso sobre os riscos a que um fumante passivo está exposto. Nunca fui nenhum tipo de cruel assassino, pelo contrário, se as pessoas querem se matar, que o façam com sua própria fumaça.
Quando volto à labuta, alguns olhares de desconforto. Que espécie de vagabundo pára o seu trabalho, prejudicando àqueles que dele dependem para fumar um cigarro, um maldito cigarro? Que espécie de imbecil deixa de atender á população justamente no horário de almoço, quando todos abdicam do fútil hábito de se alimentar para ir ao banco.
Enquanto isso, uns batem no peito, almoçam um sanduíche em cima da papelada do escritório às três e meia da tarde, há dez anos sem férias. Paulo Autran morre atuando quase aos 90 anos, a culpa é do cigarro. Executivos, sem almoço, trabalho, quinze horas por dia, enfarte aos 40. Exemplo de determinação.
Porque as empresas de recursos humanos não são obrigadas a exibirem o aviso: “O ministério da saúde adverte, trabalhar é prejudicial à saúde?” Três feriados num período de vinte dias, os taxistas, vendedores e outros profissionais liberais se queixam que é muito. Olham para os empregados privados e dizem: “Que vida de marajá, pode se dar ao luxo de ficar um mês em férias, folgar todos os finais de semana”. Os empregados privados olham para os liberais e suspiram: “Que vida, pode ficar um dia sem trabalhar e não tomar esporro do patrão, deixar de recolher impostos... só dependem de seu próprio esforço.”
Eu devia me dedicar um pouco mais ao trabalho...respeitar o público, me esforçar mais do que todos meus colegas de trabalho. Assim, quem sabe eu consigo uma promoção. A partir daí é só me esforçar cada vez mais, ter menos dia no meu trabalho, menos almoço na minha fome, menos férias nos meus meses, menos semana nos meus finais. Acendo um cigarro e deixo ele me fumar. Vício por vício, prefiro viver uns anos mais.
domingo, novembro 18, 2007
sábado, novembro 17, 2007
Um pouco de desconstrução
Desconstruindo Descartes
Sabi nascendo, de tudo
Com o tempo fui morrendo
Hoje estou aqui... tabula rasa
Sendo observado por minhas experiências
Desconstruindo Descartes II
Hoje nasci morrendo
O tempo é tabula rasa
Vou sendo experimentado
Estou com tudo aqui
Desconstruindo Descartes III
Vou tabulando a morte
O tempo experimenta o raso
Tudo estando sendo
Nasci hoje
Descartando a Desconstrução
Nasci tábula rasa
Com o tempo observei minhas experiências
Hoje estou aqui
Morri sabendo de tudo
quinta-feira, novembro 15, 2007
Reticências
Um uivo um urro um susto um suspiro
Momentos de tão doce dor prazer e torpor
Vida minha viva tão lasciva
Gritar e cantar e amar e girar dançar
Sem música sem abismo sem dor
Sem partida sem chegada sem trilha sonora
Sonoro musical inferno celestial
Sem sentido sem porquê baseado sem ter quê
Meia batida meia vida meia foda
Tão Ginsberg tão Skylab tão Kerouac
Tão Leminski tão Bukowski tão Stravinski
Tão Taiguara tão Raul tão assim tão sem rima
Tão Neruda tão Gardel
Tão Tânia tão Pachola tão Estevão
Tanta arte tão à parte tão Descartes
Tão Buenos Airtes tão Paris
Tão Vale do Paraíba tão São Paulo
Sem tempo demais
Nem vida de menos
Só
quarta-feira, novembro 14, 2007
TATO
É momento, é um sentimento que vai passar...
Sento, acendo um cigarro e espero...
Deixo para fazer a barba depois
Acendo outro cigarro e espero
Mais uma xícara de café
Mais uma semana de regime
Vai ter que passar
Leio mais um livro
Acendo outro cigarro
Tomo outro café
Deixo para fazer a barba depois
Porque sei que vai passar
Deixo que me incomodem
Escolho outra coisa para ler
Olho fundo nos seus olhos
Largo outra guimba no cinzeiro
Escarro na calçada
Logo vai passar
Peço outra xícara de regime
Tomo outro cinzeiro de café
Leio mais um sentimento de barba
Largo o depois no fundo da calçada
Escarro olhos na espera
Vai passar...
A dúvida me atormenta
Me angustia....
Meu Deus, o quê, o quê meu Deus???
O que vai passar?
domingo, novembro 11, 2007
O ! ao... lado desse ou tro lad o
Um ? ponto numa, ponta de
Papel machê: marche, um! e dois um
E dois?... à fre nte
e
...a trás! ! !
assim PergunTe responda sim sim sim não
. —
uma: linha
siga)
por aqui .ou ali ponto )ponto ponto :colcheia) — desarmônica
insensatisfação
