terça-feira, janeiro 30, 2007

Tic Tac

Caralho... enfim esse inútil saiu da minha frente. Já são quatro e dez da tarde e eu preciso sair e fechar esse maldito caixa logo para fugir desse inferno de banco. Pôrra!! Não Bateu.... deixa eu ver isso aqui... hmmm... estão sobrando cem reais... foda-se, fica para a cerveja.
Quatro e meia, essa merda de fita não termina de imprimir. As seis horas ela vai me ligar, e eu ainda tenho que passar no médico e deixar uns exames e devolver uns dvds na locadora antes disso. Vinte pras quatro, a fita termina de imprimir e consigo ir embora... não sem antes o inútil do segurança me pedir dinheiro emprestado.
Dez para as cinco, entro no metrô. O trem demora a chegar, e lá dentro parece que uma eternidade me atormenta. Desço três estações depois e nem olho no relógio... Só sei que chego as 17hs10 em casa. Tiro a roupa, sento na privada e falo uma ou outra coisa com meu pai. Ponho outra roupa, pego o que tenho que pegar e saio correndo. 17hs25 desço a rua correndo em direção ao médico, olho meu celular, que avisa que a bateria está no fim. Chego lá, jogo os exames em cima da mesa da recepcionista e saio correndo. Não há tempo para esperar o elevador e desço correndo as escadas. Subo de novo a rua, sempre olhando o celular, para saber as horas e ver se aquela pôrra não apaga.
17hs37 min quando desvio do caminho e passo na locadora. Que merda!! Esqueci um dvd em casa, que se foda, amanhã eu pago multa. A porcaria do celular ainda funciona, mas não tenho muito tempo.
São exatamente 17hs45 quando chego em casa. Tiro a roupa e vou entrando no banheiro, quando lembro do celular. Para não ter problemas, coloco ele para carregar lá mesmo e entro no chuveiro. Ainda são 17hs55 quando termino o banho. Me enxugo rapidamente e coloco outra roupa. 18hs em ponto!!! A qualquer momento ela deve ligar.
Mas já são 20hs e nada...
Acho que tomei o bolo.
Que se foda, foi até melhor, assim não perco meu tempo com essa vagabunda...

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Remendo incompleto de sonetos, contos e ensaios inacabados sobre a incerta parábola do eterno brinde

Brindemos
Àqueles que te olham como se fosse o último dos animais
À cada gole
À cada trago
À cada dois
À cada teco

Brindemos ao altruísta ególatra
Que lhe oferece mão quando você está na sarjeta
E olha para baixo até que você se levante
Mas que não conhece o sabor sujo do concreto

Saudemos a quem te chama de bêbado,
maluco, irresponsável,
sujo, porco, gordo, drogado, idiota,
fracassado e inútil

Sim, saudemos a esse sóbrio,
Normal, responsável,
Limpo, asseado, magro, careta, genial
bem-sucedido e indispensável

Que diz a solução para todos os seus problemas
Mas nenhuma para os dele
Condena em nome de Jesus seu baseado
Toma um Lexotan, deita e ora por sua alma

Aplaudamos (Mais um brinde!!!) àquele que te arranca do puteiro
Mas que broxa com a esposa
E só goza pensando na cunhada

Ouçamos com atenção (Salut!!!)
O sermão por ter roubado o cinzeiro do boteco
Dado com o mesmo esmero
com que mente no imposto de renda

Deixemos que afimem
Que seu gasto com cerveja lhe daria a melhor das vidas
E pague a conta do imbecil (Essa é por minha conta, e manda mais uma!!)

Pensemos a cada suspiro (Outra rodada garçom!!)
Que solta ao menor palavrão
E agarremos o saco do infeliz
Para ouvir suas palavras santas

Tudo bem que derrubem sua cerveja (Traz outra Zé!!)
E te mandem calar a boca
Uma boa garrafada é dada em silêncio
E sem uma gota derramada

Vamos permitir que te digam o que ler (Um bom conhaque para um bom livro!!)
Só para você ter o que rasgar
Além do mais, sempre falta seda

Carpe Diem!!!
Um brinde àqueles que leêm a Bíblia (Tim Tim!!)
Aos esportistas (...)
Aos bem-sucedidos profissionalmente (...)
Aos bem casados (...)
Aos bem comidos (...)
Aos intelectuais (...)
Aos estoicistas (...)

Um brinde em outro boteco
Seus brindes depois do meu brinde...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

FUP

Depois de falar sobre filmes e sobre fatos inusitados do cotidiano da Caixa Econômica Federal, vou falar um pouco sobre literatura. Não sou crítico literário e nem um intelectualóide literato, e tampouco vou recomendar a novíssima edição de "Grande Sertão: Veredas", sonho de consumo de nove entre dez solteironas ou divorciadas cinqüentonas, que passam a vida a ler por pura incompetência social. Antes que me esculachem, isso não foi uma crítica a essa obra prima da literatura tupiniquim (digo isso por experiência alheia, já que nunca tive coragem de ler).
O nome do livro está no título do post, FUP. Essas três letrinhas, que em inglês, seria a contração do termo "fucked up", ou em bom português, FUDIDA, assim mesmo com "u".

FUP foi uma patinha achada num buraco. O estado deplorável em que se encontrava inspirou seu nome, dado por Vovô Jake, um velho jogador e beberrão, que fabrica um uísque tido como milagroso, usado para agitar e acalmar os sonhos, curar toda sorte de males, e como combustível para tratores e outros veículos mais pesados. Para criá-la, o velho conta com a ajuda de seu neto órfão, Miúdo um jovem de 155kg e 1,92m, aficcionado em construir cercas, que não cercam coisa alguma, doutrinado no uísque do vô desde os tempos de mamadeira.
Em pouco tempo sob a tutela dos dois, FUP come tudo o que vê pela frente, além de beber boas doses de uísque, se torna uma pata imensa, gorda demais para voar, por mais que Vovô Jake tente ensiná-la. O trio sempre se vê a volta com Cerra-Dente, um porco do mato, cujo passatempo é destruir as cercas de Miúdo.

FUP é uma linda fábula sobre a vida, com estilo e temática que oscila entre o beatnik e o hippie. Mostra como a vida é cheia de ciclos. As renovações nada mais são do que eternos retornos ao ponto de partida. O segredo não está em buscar mudanças, mas em preencher sua história entre elas.
O melhor do adulto é ser criança até crescer. O melhor do idoso é ser jovem até envelhecer. E o segredo da vida é ser imortal até morrer.

sábado, janeiro 13, 2007

Da série: "Um dia na Caixa Econômica Federal"

- Olá, o senhor lembra de mim?
- Claro, o senhor veio aqui ao banco hoje de manhã...
- Tira mais dez reais da minha conta
- Então assine aqui por favor...
- A assinatura vai ficar tremida, num tem problema?
- Sem problema...
- Pôrra, mas você tá mal mesmo, que assinatura é essa...?
- O senhor me desculpa?
- Sem problemas, aqui estão seus dez reais.
- Mas o senhor me desculpa?
- É só tirar esse bafo de cachaça de perto de mim que tá desculpado...
- Desculpa pelo que eu fiz...
- Tudo bem, o senhor pode por favor soltar minha mão porque eu preciso atender o resto da fila.
- O resto da fila é um bando de vagabundo...
- Próximo!!!
- E o senhor, lembra de mim?
- Nunca te vi mais gordo...
- Eu vim aqui de manhã
- Eu acabei de chegar na fila
- Ei segurança, bate um papo com o nosso amigo pau d' água aí que acho que ele não sabe onde é porta de saída...
- Próximo!!!
- Se o senhor não tivesse chamado o segurança, ia sair pau na fila...
- O senhor se lembra de mim?
- Vem que eu te levo até a saída, eu deixei uma branquinha paga procê no Bife Duro...
- Muito obrigado, deus lhe abençoe...
- Próximo!!!

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- Boa tarde seu moço, é que eu trabalhei numa empresa e não recebi o Fundo de Garantia. O senhor pode dar uma levantada no fundo que é para ver se eu saco?

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- Puta que o pariu!!! Que demora essa fila
- Caralho, ei seu caixa, larga a mão de ser molenga e atende mais rápido
- Eu corto meu saco fora se esse cabra for idoso mesmo...
- Próximo!!!
- Até que enfim, porra, depois de uma hora de fila nessa merda de banco... paga isso para mim...
- Senhor, aqui diz Nossa Caixa, o senhor está na Caixa Econômica Federal
- Porra, mas Caixa não é tudo Caixa...
- Não senhor...
- Olha, que se foda se a caixa é nossa, se é sua ou da puta que lhe pariu, eu quero pagar essa merda agora!!!
- A Nossa Caixa é na esquina de baixo...
- Eu vou pagar essa porra aqui...
- Só se o meu gerente autorizar.
- E onde fica o seu gerente?
- Na esquina de baixo...
- Olha lá, eu não vou pegar fila de novo hein...!!!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Voltando ao circuito de cinemas...

Acabaram-se as aulas, já posso me considerar um jornalista, e o melhor de tudo, tenho minhas noites livres durante a semana. Resolvi voltar a cultivar o hábito de ir ao cinema essa semana.
Combinei com alguns amigos e assistimos a três filmes: "Em direção ao sul", "Ping-Pong da Mongólia" e "Pequena Miss Sunshine". Dos três, não recomendo apenas o primeiro, que achei muito óbvio, e usa a velha fórmula "Amor-impossível-em-um-país-tomado-por-uma-guerra-civil."
"Ping-Pong da Mongólia" é um filme muito bonito, que preza pela simplicidade. Um grupo de meninos, filhos de pastores de ovelhas na Mongólia começam a descobrir o mundo através de uma misteriosa bolinha de ping pong achada em um lago por um deles.

Já "Pequena Miss Sunshine" é uma pérola. Uma comédia muito engraçada e inteligente, que deixa uma porção de pequenas lições pelo caminho. Uma família no mínimo incomum, sendo o pai o criador de um método de auto-ajuda que não dá certo, um filho que fez voto de silêncio, o tio um professor gay suicida e o avô obrigado a morar com eles depois de ser expulso do asilo por cheirar heroína.
Todos se transformam quando a filha caçula vai participar de um concurso de beleza, obrigando toda a família a viajar quase 1.000 km em uma velha kombi sem embreagem.

Os dois filmes mostram como os segredos da vida podem estar nos lugares mais simples, mas ao mesmo tempo mais difíceis de se enxergar. E o mais importante, que só chegamos a elas por nós mesmo.
Tenho visto um turbilhão de livros de auto-ajuda e uma tonelada de gurus, sejam eles espirituais ou profissionais. Todos eles com a fórmula certa para o sucesso, que eles explicam ao longo de dezenas de livros. É impressionante como os seus problemas são pequenos para esse mestres do sucesso. Eis que de repente você se depara com algo que não estava no livro...
Aí fodeu....
De winner convicto você vai a um loser instantâneo. Nesse momento você descobre que pode reverter a sua situação e se tornar novamente um winner. Aí você começa a se recordar de tudo aquilo que te tirou do buraco e transforma numa fórmula matemática do tipo: "ambição+ética=sucesso profissional". Quebre essa fórmula em umas treze etapas e pronto. Já escrveu seu próprio livro de auto-ajuda, ou motivação profissional, conhecimento espiritual ou qualquer outro termo que resolva inventar. Depois disso, vira consultor de empresas, cobra uma fortuna para dar palestras, arruma uma coluna numa revista de grande circulação e passa a vida dizendo as pessoas como resolver seus problemas. Ah, e deixando claro, que caso não consigam a culpa é delas, que não souberam se transformar em vencedores.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Descanse em paz amigo...

Antes de tudo, gostaria de agradecer a todos que me deram a maior força nesses últimos dias... Seja comentando no blog, batendo um papo, um abraço ou um simples "precisando, pode me procurar...". Dói perder uma pessoa tão próxima de maneira tão traumática.
Durante a missa de 7o dia do Estevão, conversei com alguns amigos presentes, e decidimos tirar o luto, deixar o rapaz descansar. Foi lindo reunir algumas pessoas que não se viam faz tempo e relembrar ele com alegria, todos com saudades dos momentos bons que passamos com ele.
Sei que a dor não vai embora assim tão rápido. A saudade vai bater, todos vamos chorar novamente por ele, mas os bons momentos sempre vão ser mais fortes. Sabemos que ele não se esqueceu da gente, e antes de partir deixou a todos uma grande lição, que carregamos no coração.
Acho que só aprendemos realmente o valor de uma amizade quando perdemos um amigo. Tenho estado meio perdido, mas prentendo ir atrás de muitas das amizades que deixei pelo caminho. Quero me divertir e aprender ao lado das pessoas que gosto ao máximo. Assim como foi com o Estevão, aproveitando cada momento, rindo a cada besteira, chorando juntos.
Escrever é fácil. Não pensem que superei tudo em pouco mais de uma semana. Mas quando sucumbir a maior das tristezas, ele vai estar do meu lado, me lembrando da maior lição que aprendi com ele... me lembrar sempre de quem me ama...

Obrigado a todos meus amigos
Obrigado Estevão