quinta-feira, dezembro 28, 2006

Porque você, meu amigo?

Por quê?
Porquê você meu amigo? Porquê fez isso?
Cara eu ainda não acredito. Sinto você do meu lado, ainda ouço sua voz chamando meu nome. Estou chorando agora, chorando muito e não tenho você por perto para enxugar minhas lágrimas. Velho, você era amado, querido por todos, era inteligente, esperto e tinha um coração enorme. Você foi e deixou a todos com um sentimento de culpa, onde erramos meu querido amigo? Não pode ser, eu me recuso a acreditar naquele telefonema que recebi. Nunca meu grande amigo, meu brother faria isso...
E Deus, porquê chamou meu amigo? Não era a hora dele, eu tinha muito a aprender com ele. Ele era um anjo, deveria ter asas para voar quando saltou daquela maltida janela. Não é impressão, eu sei, ele está aqui do meu lado, veio me chamar para beber. Prometo que não deixo ele exagerar.
Pôrra, porque você não falou comigo? Porquê não deixou eu te ajudar? Eu nunca vi alguém tão querido pelos amigos como você. Nós sempre fizemos tudo por você... e na hora em que mais precisava, não nos deixou ajudar.
Vá amigo... vá para os braços de Deus. E não importa onde estiver cara, saiba que sempre pode contar comigo. Na minha memória você vai estar sempre vivo...
Te amo amigo... Adeus!

Estevão Pereira de Jesus
1986-2006

sábado, dezembro 23, 2006

Feliz Natal o Caralho

Fim de ano... faltam dois dias para o natal. Grande merda.
Essa época do ano, normalmente fico bastante deprimido. É tempo do espírito natalino (também conhecido como 13o salário), em que as pessoas mais filhas da puta se tornam iluminadas e bondosas. É quando as pessoas percebem que seus vizinhos existem, que há um colega que trabalha a seu lado e que o garçom do boteco também é ser humano. A energia é tão boa, que as pessoas até conversam com o passageiro ao lado no ônibus. Eu acho isso uma grande merda. Sou uma pessoa até bem sociável, faço amigos no boteco e tal, mas me imponho alguns limites. Não é porque é natal, que vou bater papo com quem não conheço num busão, no máximo peço licença para abri a janela. Acho isso uma sociabiliade desnecessária, assim como conversar além do básico com taxista e puta.
Mas voltando ao lance do natal. Já expliquei em outro post minha orientação religiosa, sou agnóstico, ou seja, para mim tanto faz se Deus existe ou não. Gosto da festa, afinal, qualquer oportunidade para tomar um drinque é bem vinda. Também respeito que se comemore o aniversário de um cabra que nem nesse dia nasceu, já morreu há quase dois mil anos.
Mas me dá uma depressão fudida. Não agüento ver as pessoas se abraçando, se reconciliando, sabendo que antes do carnaval já estarão se odiando de novo. Também não gosto de pagar R$10 num panetone, que daqui a um mês vai custar R$3. Detesto também os amigos secretos, em que se tem que escolher um presente para aquela pessoa que você não suporta ou que nem conhece direito. Pior ainda são os inimigos secretos, em que não se pode sacanear o chefe como ele merece.
Quando alguém me deseja Feliz Natal, agradeço com um sorrisinho leve no rosto e retribuo. Mas confesso que não me agrada, principalmente vindo de alguém de quem eu não gosto. Também não dou Feliz natal para quem não goze de minha simpatia. Até porque não é isso que eu desejo, no máximo não desejo nada em especial, ou até que a pessoa quebre a perna ou tenha um infarto de tanto comer leitoa.
Vou comemorar o natal com a família. Questão de tradição, de vínculos. Gosto de estar com meus pais, minha irmão e até mesmo minha tia e minhas primas bem fresquinhas. Vou aproveitar para tomar um drink e encher o bucho de peru, leitoa, panetone e caralho o quatro. Ganhar presente é sempre bom, embora já tenha torrado uma grana com presentes para um ou outro parente e amigo.
E aí a depressão segue até o ano novo. É aí que percebo que mais um ano se passou e as coisas pouco caminharam. Que os meus sonhos do ano anterior não se realizaram e a porra da folha de louro não deu resultado nenhum. Por isso na virada do ano, pretendo estar em qualquer lugar, bêbado cantando "Adeus ano velho" abraçado a algum amigo em igual estado.
E tenho dito

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Mochila nas costas de novo...

E 2006 vai indo embora. O ano passou como um tiro, nem parece que aconteceu tanta coisa na minha vida. Enfim terminei a faculdade e resolvi boa parte dos conflitos que me torturavam. Vi meus amigos indo embora, uns para o interior, outros para o exterior, fora os que começaram a namorar e sumiram. Mas tudo vem se resolvendo, vi a minha melhor amiga voltar para Sampa e um dos meus melhores amigos ensaiar uma volta.
Mas chega, o assunto do post não é esse. Quem me conhece "além-blog" mesmo que pelo msn, sabe que meu email é mochileirochapolim@hotmail.com , e muitos me perguntam o porquê desse email. Chapolim é um apelido que tenho há uns cinco ou seis anos, quando eu andava com uma camiseta do Chapolin que era minha segunda pele (o "m" no lugar do "n" é proposital, para dar identidade). Para completar, sempre fui muito desastrado, vivo tropeçando e deixando as coisas cair. O mochileiro veio de um hobby que tenho há não muito tempo, que é o de viajar.
Viajo bem menos do que gostaria, mas reservo alguns momentos para sair dessa correria de São Paulo. Ser mochileiro é diferente de ser turista. O turista fecha um pacote numa agência de viagem, fica num hotel bacana, faz os passeios sugeridos nos pacotes e anda com um guia a tiracolo. O mochileiro vai por conta própria, fica em albergues ou pousadas, quando não resolve acampar, e sai conversando com nativos em busca das melhores opções. O turista gosta de conhecer lugares diferentes, o mochileiro, mais do que em lugares, está interessado em pessoas.
Começo hoje meu aquecimento para um mochilão que venho programando há tempos. Em fevereiro de 2008 espero tirar féras e conhecer o Peru e a Bolívia.
Minha história de mochileiro começou numa inocente viagem com amigos para a Praia Grande. A partir daí me interessei em pegar a mochila e me mandar. Uma semana em São Tomé das Letras me aguçou o instinto. Desci do ônibus com um amigo com o nome da Pousada em que íamos ficar e mais nada. Era agosto, e a alta temporada tinha acabado na semana anterior. Descemos 3km para chegar na pousada, que por sorte ficava do lado de uma cachoeira. A partir daí foi muita caminhada, andando até 6km em busca dos melhores lugares, e às vezes voltando de carona em caminhão. Quando saímos de São Paulo, rumo a Três Corações, daonde saía o ônibus para São Tomé, conhecemos uma menina. Ela disse que era de Luminárias, uma cidade vizinha, famosa por seu carnaval animado. Cada um seguiu seu caminho, e sequer o telefone dela pegamos. Menos de um mês depois voltei lá um fim de semana para o aniversário da cidade, mas isso já é assunto para outro post.
Final de 2005 fui visitar uma amiga em Joinville/SC. O fim de semana foi ótimo, apesar da cidade não ter muita coisa interessante. Vale a citação mais para não abalar a amizade.
Mas eis que no carnaval desse ano, resolvo juntar um grupo de amigos e rumar para Luminárias. Nem sabia se iria encontrar a "loira da rodoviária". Ao descer do ônibus, fui para a pousada dormir. Mas dois amigos não precisaram de meia-hora para descobrir que a menina era filha do dono do boteco da esquina. E foi um carnaval inesquecível, com churrasco, cerveja e cachoeira durante o dia e muita farra à noite.
Depois de algum tempo, coloco novamente minha mochila e vou com um amigo curtir uma olimpíada de calouros de medicina em Ribeirão Preto. O detalhe é que nenhum dos dois fazia faculdade de medicina. Viagem tranqüila, ideal para descansar, mas com muitas surpresas também.
Minha última aventura foi um fim de semana no Rio de Janeiro. Fiquei num albergue em Santa Tereza com mais quatro amigos. Curtimos um sambinha justíssimo na Lapa, ficamos só meia-hora na praia e na volta até enquadro a gente tomou. Pela primeira vez na vida, demos graças a Deus por não ter nada que desabonasse nossa conduta.
Agora reassumo a mochila. Hoje estou rumando para Orlândia, fazer uma visita para um amigo que foi morar lá. Com isso vou ensaiando minha volta. Fevereiro tiro férias, e pretendo visitar um ou outro amigo ou parente perdido no interior ou em outro estado. Qualquer lugar onde tenha um boteco com mesinha na calçada pode esperar minha visita...

domingo, dezembro 10, 2006

Desordenando o caos

Que atire a primeira pedra quem nunca passou por essa situação. Ser apresentado a alguma pessoa e não conseguir de parar de olhar para ele. Não se trata de flerte ou provocação. A verdade é que o rosto da pessoa lhe é familiar, e você jura conhecê-lo de algum lugar. Ou então apontar três ou quatro figuras no bar e dizer que se parecem com famosos.
Quem também nunca teve aquela sensação de Deja Vu? Ter a certeza que já passou por aquela situação. Ter a impressão de que sonhou com aquilo, se sentir o vidente.
A verdade é que o ser humano busca em tudo e todos os padrões a que está acostumado. Antes de aceitarmos um rosto novo na memória, fazemos um exercício para saber se ele já não está guardado em algum canto. É como se tivéssemos um arquivo, onde separássemos as coisas por categorias. Quando você vê aquele conhecido que há dez anos não encontrava, você guarda o rosto atual dele ao lado da recordação do rosto antigo. Assim organizamos nossa memória.
Agora outra situação bem diferente. Quando se tem aquela casa na Praia Grande, e aos poucos perde-se o interesse por ela. Depois de você passar todos os feriados e férias da sua infância e adolescência lá, a casa fica quatro anos sem receber visita. Ao abrir a casa depois de quatro anos, a surpresa. Mofo por todos os lados, infiltrações na parede e um ambiente inabitável. Isso porque há quatro anos atrás, tudo tinha sido deixado limpo e organizado.
É aí a base do conflito do homem com a natureza. A natureza tende ao caos, o ser humano à ordem. Não me refiro a caos como bagunça, mas como um processo constante e aleatório (ao ser humano) de transformações das coisas. Quando o homem resolve interferir nesse processo, cria-se a ordem.
Buscamos acomodação, conforto. Quando, em nossa casa, tiramos uma cadeira da cozinha e colocamos na sala, ao final do uso, a devolvemos para o "seu lugar". Agora, se o vento espalha folhas secas de árvores pelo chão, essas folhas não vão ser devolvidas para a árvore.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Intelectualóides

Uma vez escrevi sobre os intelectualóides numa comunidade. Intelectualóides são aquelas pessoas que se acham cultas o suficiente para rejeitar a opinião de todos os outros. Normalmente leêm dois ou três livros sobre determinado assunto e posam de phd da única coisa que interessa à humanidade. É diferente do intelectual de botequim, que busca alguém para ouvir seus poemas e teorias conspiratórias de quinta qualidade, uma vez que não procuram quem os queira ouvir, mas propagam suas idéias a todos de maneira quase messiânica. Os outros não têm opinião, estão completamente errados e são completos imbecis por pensar da maneira que pensam.
Eles podem se enquadrar em diversas categorias, mas o melhor jeito de lidar com qualquer ser desse é irritando-o. Vou citar algumas categorias e como fazer para irritá-los.

O "alternativinho": Sempre cabeludo, anda com aquelas calças xadrez largonas,camisa do Che Guevara ou Bob Marley, papete ou chinelo de dedo. No frio, um cachecol sempre acompanha. Usa aqueles óculos pretos, com a armação grossa, fuma maconha por ideologia, é eleitor da Heloísa Helena e devoto do Chico Buarque. e Los Hermanos. É univesitário, estudante de ciências sociais, jornalismo, publicidade ou artes plásticas.

Como irritá-lo: Diga que Marx era um babaca e maconha faz mal.

O "literato": É o único ser que vai ao boteco sozinho, toma uma ou duas cervejas e fica lendo o tempo todo, a não ser quando resolve recitar Fernando Pessoa. A vestimenta varia, mas como o alternativinho, é bom que se vista de maneira "impecavelmente largada". Fala dois ou três idiomas e faz questão de dizer isso pra todos.

Como irritá-lo: Diga que o último livro que leu foi "O Pequeno Príncipe" ou "O menino do dedo verde".

O "cinéfilo": Já assistiu dez vezes "Laranja Mecância", "o Encouraçado Potenkim", todos os filmes do Charlie Chaplin e os iranianos existentes. Vai ao cinema com uma caderneta e sempre cita frases de filmes em suas discussões.

Como irritá-lo: Diga que adorou Titanic

O "psicanalista": normalmente são mulheres. Secretárias ou recepcionistas mal comidas que sonhavam em ser psicólogas. Fazem fofoca de todos e tem sempre uma solução pra seus problemas de relacionamento. Dizem pra você soltar seu "interior", olhar para "dentro de si mesmo" ou resolver esse "bloqueio". Tem uma estante repleta de livros de auto-ajuda.

Como irritá-lo: Diga que psicólogo é coisa pra louco.

O "senhor recursos-humanos": variação do psicanalista para o mundo dos negócios. Fala num portunglisho, com metade do seu vocabulário em inglês e metade em português. Transforma qualquer happy hour de empresa numa palestra sobre empregabilidade e ainda pede o "feedback". Além dos livros de auto-ajuda, tem centenas de vídeos sobe sucesso profissional e vendas. Não é vaidoso, apenas faz seu "marketing pessoal" e não tem amigos, apenas seu "networking".

Como irritá-lo: Diga que ele precisa de umas férias.

"O místico": Enche sua casa de gnomos, incenos, livros sobre vidas passadas, patuás, jogos de tarô e cds da Enya. Fazem questão de sempre demonstrar calma, mas são os primeiros a dar chilique. Seguem uma média de quinze religões diferentes, fora as sete que ainda está conhecendo.

Como irritá-lo: Fácil, quebre algum duende dele. Ou diga: "Não creio que você acredita nesas coisas."

O "personal trainer": Transforma a deliciosa coxinha de bar num discurso sobre calorias. Conhece a composição de todos os suplementos alimentares no mercado. Usa calça justa ou bermunda e regata, mesmo no frio ou a noite. Acha que quem não malha ao menos três horas por dia está fadado a morrer cedo.

Como irritá-lo: Apareça com um pedaço de pizza e uma coca-cola enquanto ele malha.

O "político": Normalmente senhores de meia-idade, aposentados ou desempregados. Concorrem a todo o cargo que aparecer, de presidente de associação de bairro a sub-síndico de prédio. Querem "fazer valer" seus direitos em todo o lugar. Dão barraco no supermercado e no banco. Diz sempre com orgulho que conhece o vereador, mesmo que apenas tome café na mesma padaria com o mesmo e troque bom-dia. E sempre faz questão de dizer que não entrou na política para não se sujar.

Como irritá-lo: Diga que não votaria nela nem para Miss Caipirinha.

O "cosmopolita": Sempre que vê algo que acha errado, diz: "na França não é assim" ou "Em Nova York, o dono que não limpar a merda do cachorro vai preso". Ao fazer um crítica começa com "Esse é um problema do brasileiro...". Sabe das leis de todos os países do mundo, e são todas melhores do que as do Brasil. Na verdade nunca saiu do país, mas lê muito e tem parentes e amigos que já foram e lhe contaram.

Como irritá-lo: Diga que o francês é porco, o americano arrogante e que é brasileiro e não desiste nunca.